Hoje sentei-me no banco da praça, a frente um lago rodeado de árvores, no centro da cidade. Aos poucos se ouvia alguns pássaros cantando, outros aproveitavam o gramado para se alimentar. De repente algo me chama a atenção: uma ave, eu conheço como rolinha (espécie de pequena pomba), selecionando gravetinhos para construir um ninho. Que interessante. Fiquei horas a observar. Ela vinha de uma árvore, pouco atrás do banco que eu sentara, pousava na grama a minha frente (parecia que queria mesmo ser observada e transmitir algo, rs). Vários aprendizados foi possível tirar dessa observação.
Seletividade - a ave, em um processo altamente seletivo testava a qualidade dos gravetos. Prendia-os no bico e batia contra o chão. Se aprovado, alçava vôo, depositava-o no canto seguro da árvore, arquitetando o ninho. E assim prosseguia. Essa "seletividade" se faz necessária, afinal depende disso a garantia de que seus ovos e filhotes estarão protegidos. E nós, humanos, somos seletivos assim também? Temos esse cuidado com a vida; escolhemos os "gravetos" que irão nos acompanhar, fazer parte da nossa história?
Paciência - Para cada graveto, um vôo de ida e outro de volta. São muitos os testados e poucos os aprovados. Sai do chão, graveto no bico, deposita na posição ordenada, volta ao chão e procura outro. Nada fácil, imagine o cansaço. Essa ave pode até agir por instinto, mas sabe da importância do que está fazendo. E nós, será que temos a paciência necessária diante da vida? Das adversidades? Temos essa compreensão de que pequenos gestos, pequenos atos, feitos com respeito e carinho fazem a diferença, são importantes?
Amor - Sei que para muitos o que a pombinha fez não passa de obrigação e instinto. Mas temos que concordar: há muito amor nisso tudo. Ela poderia pôr seus ovos em qualquer lugar, ou fazer o ninho de qualquer jeito, mas não. Preferiu se dedicar, abrir mão de outras coisas, dar o melhor de si.
Realmente foi ótimo observar esse gesto, esse comportamento e dedicação. Pena não ter sido possível fotografar, queria que vocês vissem o brilho no olhar dela ao executar essas tarefas. Surpreendente.
Que assim, como esta pombinha, nós também possamos fazer da vida uma constante em seletividade, paciência, dedicação e amor. Que tenhamos o mesmo cuidado com todos os seres humanos.