terça-feira, maio 08, 2007

BORA PEGÁ ESTRADA MEU FIÔ...

Depois de uma semana é hora de levantar acampamento...Pernambuco "foi bom vice!", rs. Entrevistei alunos da UFPE e dos Colégios Aplicação e Pedro Augusto. Acompanhei atividades da escola municipal de frevo (foto), a única pública no país e que atende média de 300 alunos de periferia (maravilha). Conheci Olinda e arredores do Recife (muita história e cultura), a chuva me perseguiu esses dias (também já é inverno né, rs), mesmo assim foi tudo ótimo. Agradeço aos novos amigos: Wilson, Valdir, Cibelle, Seu Zeca e ao Sr. Dominicio. E a receptividade dos pernambucanos.
Meu obrigado a equipe da TV Jornal (SBT Local) que deu espaço ao Girobrasil, inclusive você pode conferir o material no link:
http://jc.uol.com.br/tvjornal/video.php?url=http://www2.uol.com.br/JC/integracao/media/videos/manha_080507_3.wmv
Com a imagem desse artesão, um anônimo da praia de Boa Viagem (a mais famosa do Recife e com título de mais charmosa praia urbana do Brasil), faço votos que todos nós, na nossa "anonimidade" diária sejamos responsáveis por pequenas, mas importantes, mudanças e transformações.
Sigo nesta quarta-feira(09/05) pra João Pessoa-PB. Abraços e tudo de bom. Que luz e paz sejam constantes em nossa humanidade. Fiquem bem.

quinta-feira, maio 03, 2007

NO PERNAMBUCO...

Estou em Recife-PE, agilizando a agenda na itenção de visitar Olinda e a região metropolitana, estou bem hospedado, conto o apoio do amigo Wilson Feitosa (que mobilizou uns amigos aqui na "empreitada"), cheguei a pouco na cidade. Confesso que estou um pouco cansado, as atividades em Alagoas me exigiram muito, ainda não consegui repor as energias. E surge uma possivel greve de professores por aqui, isso dificulta ações em escolas, mas...rodas pra frente...em breve mais noticias e imagens...há o celular da Vivo aqui é morto, rs. Abraços.

quarta-feira, abril 25, 2007

CUIDADO POR ONDE ANDAS...


Passando a divisa do Sergipe e Alagoas, dei uma rápida parada na praia e povoado do Peba. Me informaram que seguindo 22km praia a dentro eu chegaria na foz do rio são Francisco, o Velho Chico (havia ido na foz em Sergipe mas de lá a distância é longa e quase não se avista por terra, nesse ponto o rio separa os dois Estados). Resolvi encarar o desafio e matar a curiosidade. Menos de 08 km percorridos e dei de cara com um banco de areia movediça (a moto se enterrou até a metade das rodas, assustei!). Sorte foi encontrar pescadores que voltavam da lida e me ajudaram a tirá-la...ufa!!! Quase que voltei dali mesmo, rs. Conversei com eles e me deram dicas de caminho, e cuidados na areia...segui. Na foto o farol na água, onde um dia foi cidade, era o povoado Brejo Grande-SE (foi deslocado)...uma aventura e tanto...ainda bem que a generosidade surgiu em tempo; já pensou perder a vermelhinha...eu hein!!! e o pior é quem deu pra tirar fotos "bacanas", o urgente era salvá-la... Vamos ver o que promete Alagoas. Estou hospedado na Praia do Francês (ao lado de Maceió), aqui conto com o apoio dos amigos da ong Salsa-de-Praia, o Erikson e a Aliete...sonhadores e lutadores.

IMAGENS E HISTÓRIAS...EITA SERGIPE!!!

É galera, estou levantando "alojamento", eu e vermelhinha precisamos seguir por esse Brasil, nosso próximo destino é Alagoas...vamos nós. Mas quero me despedir do Sergipe apresentando a vocês algumas imagens...(tem muita coisa, mas vai pro livro, rs). Conheci boa parte do Estado, graças ao amigo Cadu (pegou garupa na vermelhinha), conheci pessoas e muitas histórias, além de ver de perto o potencial da região (ecoturismo e outras alternativas ainda pouco exploradas). Circulei na capital Aracaju e interior. Falei com alunos da UFS (Universidade Federal do Sergipe), da UNIT (Univ. Tiradentes) e escolas públicas, além de comunidades tradicionais. Valeu a pena. Essa fachada de Igreja, possivelmente de 1850, fica no caminho da Serra de Itabaiana, se destaca na paisagem e está abandonada. Pelas andanças no interior aprendi a dançar o LARIÔ, dança típica regional. Me esforçei, acho que fui um bom aluno, rs.
Veja a casa que me hospedei numa reserva ambiental (p/ acompanhar a soltura de filhotes de tartarugas marinhas na madrugada), a gentileza foi de Dayse e Gegê, a casa é de palha, gostosa, mas tem uns habitantes que assusta, rs. Uma jibóia e esse sariguê, além de sapos e mosquitos, rs. São o xodó dos moradores. Pensa... esse Girobrasil tem histórias...
Forte abraço a tod@s e fiquem bem, na luz e paz...em breve informações de Alagoas.

sexta-feira, abril 20, 2007

SERGIPE...CONHECE?


Estou em Sergipe, o menor Estado brasileiro (exceto Distrito Federal), quase ninguém fala, quase ninguém conhece...(eu mesmo não tenho um amigo que tenha vindo aqui antes). Banhado pelo famoso rio São Francisco (aqui ele desagua no mar)...Um dos maiores produtores de petróleo em terra (quanta riqueza o petróleo tira daqui!!!).

Mas nem tudo o que se retira, ou que se paga de roayltes (pela exploração petrolífera) é aplicado na região. Há belezas naturais, matas, praias e bases do projeto Tamar (proteção as tartarugas marinhas) e também falta de água e coleta de esgoto, tratamento de lixo e consciência sócio-ambiental. Estou conhecendo a Capital-Aracaju e municípios do interior. Na foto as meninas Elisabete e Edivânia, 10 e 07 anos respectivamente. Moram as margens da rodovia, num povoado e todos os dias caminham mais de 30 minutos para pegarem água. Rotina de muitos.
Estou visitando escolas, aplicando questionários com jovens e conhecendo experiências de comunidades nas áreas de meio ambiente e cidadania (em breve terei novos e melhores relatos). Aqui devo gratidão ao parceiro, hoje amigo, Carlos Eduardo - Cadu. Ele é membro do Instituto árvore, jovem e cheio de garra. Luta e defende seu território. Na casa dele e familia é que estou hospedado, e através dele estou podendo conhecer e ver de perto a realidade existente. Obrigado. Volto em breve com mais informações e espero, boas notícias. Luz e paz a todos. Há galera, preciso de contatos em Alagoas, se puderem me indicar alguém, por favor.

segunda-feira, abril 16, 2007

ME DESPEDINDO DA BAHIA...


A Bahia me recebeu de braços abertos. Aqui pude conhecer as belezas naturais, históricas e acima de tudo a realidade da desigualdade social, da má distribuição de renda em nosso País. Pisei nesse solo no dia 21/03 e hoje 16/04 me preparo para a retirada rumo ao Sergipe. Fiz amigos, apliquei entrevistas e questionários com jovens do projeto Centro Avançado de Ciências da UFBA e escolas públicas. Comi, durmi, cansei e também descansei. Fui a festas, trabalhei. Vivi o cotidiano do baiano. Passei por Porto Seguro, Ilhéus, Itabuna, Ipiaú, Itacaré, Barra Grande, Morro de São Paulo e Salvador. No peito as emoções, o carinho e as dores. Na vida as mudanças provocadas por tão realidade. Circulei entre capital, interior, favelas, morros, universidade e praias. Levo imagens, dados, contatos. Dei entrevistas na TV Bahia e no site Jornal das Mídias, fiz oficinas com jovens cientistas.
Na foto um olhar diferente do Farol da Barra (Salvador), saio com a certeza de que o povo baiano é guerreiro, lutador e muito animado. Grandes amigos e parceiros. Deixo a Bahia e sigo por esse Brasil que me chama. Desvendar e viver o por vir, ser girobrasil...

segunda-feira, abril 09, 2007

ESTOU NA BAHIA...AXÉ



Sai de Itabuna no sábado (07/04) rumo a Ilhéus, uma parada para troca de óleo e engraxe da corrente. Segui rumo a Itacaré, aproveitei e parei na Serra Grande (foto), uma bela paisagem. Em Itacaré precisei contar com o opoio de um canoeiro para fazer a travessia do Rio das Contas e seguir estrada (confesso que foi adrenalina total, medo de desequilibrar hein, rs), feita a travessia encarei 50km de estrada de chão, areia e buracos (péssima). De Barra Grande até Camamu são mais uma hora e mei de barco, e mais 75km de asfalto até Valença. Durmi. Rodei poucos quilometros nesse dia (244), mas a estrada e condições de viajem exigiram muito.
Logo cedo fui ao cais de Valença pegar uma embracação a Morro de São Paulo (linda ilha, cenário romântico), a tarde peguei estrada, encarei mais 150 km até Bom Despacho (Ilha de Itaparica) e mais uma embarcação, uma hora e meia de água, pronto em Salvador. Cheguei a Capital baiana. Aqui fico essa semana e depois sigo a Sergipe...abraços.

sexta-feira, março 30, 2007

O ARCO-ÍRIS DO NORDESTE


A cidade é pequena, interior da Bahia, Ipiaú, símbolo da ascenção e queda do do império do Cacau. E de uma personalidade forte, irreverente, Tito da Cruz.
Na adolescência, para desviar a atenção dos colegas sobre sua sexualidade, assumiu o apelido de Maconha, sem nunca ter fumado. Fugiu do curso de agropecuária, das botas sete léguas e do facão; aceitou seu destino e transformou-se no Arco-Íris do Nordeste, conquistando espaço e sonhos.
A vida não é fácil, exige. Para estudar e ensaiar òpera no Teatro Castro Alves (Salvador), trabalhou com lavagem e venda de roupas em boates gays, serviu refeições na feira livre. Andou léguas. Se inscreveu em shows populares, festivais e programas de TV. Aos poucos a força do forró assume reisado em sua identidade musical. É cantando o amor, o chamego, a alegria e a luta baiana que seu forró sambado explode. Conquistou espaço e a partir de 2002 se tornou presença nas festas de São João e Carnaval de Salvador. Sua mais conhecida composição é a música Pedra Bonita. Passa a ser conhecido na Bahia do extremo sul á caatinga. "Há 25 anos cantei pela primeira vez acompanhado pelo mestre Gafieira, mas eu não gosto de tocar neste assunto para não especularem minha idade", entre uma risada e outra. Polêmico e bem humorado, gravou forrós e sambas no Recife também.
Deixa claro sua posição: "sou uma pessoa pública, não tenho pretensão de omitir uma vírgula sobre minha sexualidade por causa de minha carreira. Meu trabalho é uma linguagem nordestina e o arco-íris é o símbolo gay mundial, eu sou um artista de representação GLS", afirma.

Gravou dois CDS com recursos próprios e o terceiro pelo Canta Nordeste, apoio de mídia local. Produz eventos culturais regionais, e sonha ver nas telas da TV seu roteiro de novela (que escreve há dez anos e guarda em segredo, pretende entregar em mãos a Glória Perez)

segunda-feira, março 26, 2007

A BAHIA...É DE QUEM?

Nas margens da BR 101 o retrato de um Estado, a Bahia que nem é de todos os "santos" ou pecadores... Segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas, 54,9% dos baianos, ganham até meio salário. Não vivem, sobrevivem, em todas as condições possíveis para o sub...e muitos nem estão computados, pois nem "existem" na formalidade...estão as margens...de BRs e da vida.

Cenário comum no caminho para a Bahia (que tem belas paisagens e importância histórica), são placas como esta ai na foto, pedindo comida. O contraste de um Brasil: as mazelas sociais ao lado de cercas de fazendas verdes e ricas. A terra que reúne curiosidades da época do cacau, do descobrimento e que ainda deixa descoberta a dignidade e enterra sonhos. Na parada para essa foto conversei com o senhor José, desempregado, que vive a margem da BR há 05 anos e conta com a sorte de uma ou outra caça para sobreviver...junto a ele a familia, com 04 filhos pequenos.
Visitando Porto Seguro, paraíso do "descobrimento" do Brasil, as praias encantam, mas e o que fazem pelos índios pataxós? Na sua antiga morada uma cruz que é referência turística (a da primeira missa no Brasil, quando da chegada de Cabral), entre uma foto e outra de quem visita o local vale pedir e rezar pra conseguir um trocado. Ou quem sabe eles se interessem em comprar um ou outro artefanato indígena, ou fazer o que indica a placa. Segundo dados do UNICEF e o IBGE de uma população no total: 19.715 índios Baianos mais da metade vivem em estado avançado de pobreza. 71% das crianças e adolescentes INDÍGENAS vivem em situação de miséria. Metade da população não têm acesso a água tratada. E 21% dos meninos e meninas indíos entre 7 E 14 anos estão fora da escola. 15% com idade entre 10 e 15 anos são analfabetos. Enquanto que a riqueza do Estado se concentra nas mãos de poucos, bem poucos...Minha dúvida: de quem é mesmo a Bahia???

VIDA CIGANA?

Trinta anos no mesmo local, sem um dia de descanso, sem férias e sempre atendendo... Assim é a vida do "cigano", morador de rua de Vitória-ES, ele conserta sobrinhas, guarda-chuva e coisas do gênero. Tem uma companheira, que ele a chama de "funcionária", não se trata de esposa, mas de ajudante de trabalho. Em matéria de auto-estima, pouco sorri, mas se considera um grande consertador, o melhor e mais eficiente. E tem suas exigências: não aceita dar entrevistas em dias de semana, no máximo uma foto e se conseguir driblá-lo pode ser que responda algumas perguntas.
O encontrei na terça-feira, em uma calçado do centro próximo a Beira Mar, não seria possivel esperar o fim de semana para ter informações, embora tenha me chamado a atenção. O Cigano, como é conhecido, é falante e metido a entendor de tudo. Inclusive de outras linguas, dá gosto de ver. Na conversa é possível perceber que ele tem orgulho do que faz, apesar de mágoas no coração e descontentamento nos olhos. Vez ou outra tem problemas com a policia, "sabe como é a situação de morador de rua né, o rapa (polícia) sempre está no pé e enche o saco", relata.
Aprendeu sozinho o ofício e diz ter muitos clientes (eu não vi nenhum). O que me marcou nesse figura foi essa outra forma de viver na e da rua. Ao invés de pedir, oferece seu trabalho. Não tens nada, mas não perdeu o que de melhor poderia ter: a autoconfiança, embora seja o Cigano que não sai do lugar.

sexta-feira, março 16, 2007

BALANÇO DO SUL...

Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e de lambuja: Paraguai, Argentina e Uruguai. Muitas emoções, frio, e também muito calor ( o sul está quatro graus a mais que a média dos últimos dez anos). Imagens, há e máquina fotográfica perdida (com arquivo de mais de mil imagens, buá), rs. Revi amigos, fiz novas amizades. Entrevistei pessoas, conheci histórias e lugares. Matérias em jornais e tv. Assisti várias peças teatrais, inclusive uma de Campo Grande. Foi bom.
Do Sul levo lembranças e articulações, descobri talentos, levo amigos. Me ocorreram histórias inimagináveis (estarão no livro, rs). Cai de moto, ralei-me. Passei por serras e morros maravilhosos, entrei na meu próprio interior. Me provoquei, me superei. Em um rápido balanço: foi ótimo.
Saindo do Sul uma semana em SP, reencontro com amigos e familiares, participaçao na Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia) na USP. Contatos para possível mestrado. Passagem e descanso no RJ (cada vez mais violenta e perigosa, dá medo), seguindo ao ES (chego lá ainda hj 19/03). Entro na fase do nordeste...vamos rodar (eu e vermelhinha), há um bom chão pela frente...forte abraço e luz a tod@s. Na estrada, nos pensamentos, nas vivências...girobrasil.

UM DIA TRÊS PAÍSES

Foz do Iguaçu. Cheguei, conheci a cidade; simpática e acolhedora. Arborizada e estruturada para o turismo. Pasmem: as placas informativas funcionam, pode-se guiar por elas (como é chato vc entrar em uma cidade e seguir placas que nunca te levam ao local que indicam, rs). Me rendi aos encantos das Cataratas do Iguaçu. Lindo. Mais lindo é saber e ver de perto a tripla fronteira. No mesmo dia transitei e "conheci" o Paraguai, Brasil e Argentina. Acabei optando por durmir na cidade Puerto Guazú - AR.
Pequena, simples e muito interessante. Me bateu uma vontade danada de adentrar América Latina; bom, mas isso pode ser o proximo: GIRO-AMÉRICA DO SUL, rs. É impressionante poder traçar um rápido paralelo entre esses três povos e ver como a região de fronteira é gentil e "harmônica". Apesar das diferenças no trânsito, moedas, tradições e costumes, pode-se observar a tolerância e amistozidade existente, os povos se fundem. Há uma relação fraternal.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

O MINUTO

Parece pouco. Pode ser muito. Depende da situação! Um minuto para observar, para sonhar. Se for para sofrer já é demais.
E o que fazer com um minuto? Se é pra escolher, ah! Escolhas...sempre presente em todos os minutos. Em um pode-se ter a vida, em outro a morte.
O fato é que os nossos minutos só a nós pertencem.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

APRENDAMOS COM ELES...

Hoje sentei-me no banco da praça, a frente um lago rodeado de árvores, no centro da cidade. Aos poucos se ouvia alguns pássaros cantando, outros aproveitavam o gramado para se alimentar. De repente algo me chama a atenção: uma ave, eu conheço como rolinha (espécie de pequena pomba), selecionando gravetinhos para construir um ninho. Que interessante. Fiquei horas a observar. Ela vinha de uma árvore, pouco atrás do banco que eu sentara, pousava na grama a minha frente (parecia que queria mesmo ser observada e transmitir algo, rs). Vários aprendizados foi possível tirar dessa observação.
Seletividade - a ave, em um processo altamente seletivo testava a qualidade dos gravetos. Prendia-os no bico e batia contra o chão. Se aprovado, alçava vôo, depositava-o no canto seguro da árvore, arquitetando o ninho. E assim prosseguia. Essa "seletividade" se faz necessária, afinal depende disso a garantia de que seus ovos e filhotes estarão protegidos. E nós, humanos, somos seletivos assim também? Temos esse cuidado com a vida; escolhemos os "gravetos" que irão nos acompanhar, fazer parte da nossa história?
Paciência - Para cada graveto, um vôo de ida e outro de volta. São muitos os testados e poucos os aprovados. Sai do chão, graveto no bico, deposita na posição ordenada, volta ao chão e procura outro. Nada fácil, imagine o cansaço. Essa ave pode até agir por instinto, mas sabe da importância do que está fazendo. E nós, será que temos a paciência necessária diante da vida? Das adversidades? Temos essa compreensão de que pequenos gestos, pequenos atos, feitos com respeito e carinho fazem a diferença, são importantes?
Amor - Sei que para muitos o que a pombinha fez não passa de obrigação e instinto. Mas temos que concordar: há muito amor nisso tudo. Ela poderia pôr seus ovos em qualquer lugar, ou fazer o ninho de qualquer jeito, mas não. Preferiu se dedicar, abrir mão de outras coisas, dar o melhor de si.
Realmente foi ótimo observar esse gesto, esse comportamento e dedicação. Pena não ter sido possível fotografar, queria que vocês vissem o brilho no olhar dela ao executar essas tarefas. Surpreendente.
Que assim, como esta pombinha, nós também possamos fazer da vida uma constante em seletividade, paciência, dedicação e amor. Que tenhamos o mesmo cuidado com todos os seres humanos.

SERÁ QUE NADA MUDOU?!


O Girobrasil tem me levado a vários estados brasileiros (MS, SP, RJ, MG, DF, GO, TO, PR,RS), e muitos há por vir. Tenho visto lindas paisagens, conhecido boas pessoas. Gente que faz a diferença, acredita e luta por uma realidade diferente. Mas uma coisa tem me intrigado e revoltado.
Em todos os lugares por onde passei quando vejo mendigos, catadores de materiais recicláveis ou moradores de rua, na maioria, quase totalidade, são negros. Ou como se diz no popular (carregado de preconceito) "escurinhos". E vai desde crianças até idosos. Como por exemplo a dona Castorina Alves da Costa, 67, catadora há 06 anos. "Encontrei aqui a unica forma de levar comida pra casa. Catando e vendendo papel", explica.
Não que não existam brancos nessas condições, mas são minoria (ao menos é o que percebo); e não estou defendo igualdade pra ser pobre e "excluído". Estou mesmo é indignado com essa discriminação e exclusão social. Até quando vamos suportar isso? Até quando vamos aceitar como "normal" que uns comam e durmam bem enquanto outros são jogados a própria sorte? Tanto já se fez pelo combate a discriminação e exclusão, mas será que pouco avançamos?
Sei que esse tema já é desgastado pelos discursos políticos, e que até existem algumas ações com o objetivo de reverter a situação. Mas quero provocar você leitor: o que você tem feito no seu dia-a-dia para diminuir essa desigualdade? Essa brutal desigualdade.
Creio que cada um, no seu cotidiano, pode e deve pensar e agir. Mudar o rumo, dar outro sentido e ser mais humano e fraterno. Todas as ações são interligadas, quer a gente aceite ou não; o que se faz aqui se reflete ali. Pode ser que o próximo excluído seja alguém bem próximo a você. Que bom seria se dona Castorina pudesse estar desfrutando a velhice que já lhês é imposta.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

AS IMAGENS FALAM POR SI...

Bom, eu ia escrever um texto, mas confesso que me faltaram palavras diante das imagens... em resumo: Esse é o Salto de São Francisco, localizado em Prudentópolis, norte do Paraná. Uma cachoeira maravilhosa, dentre tantas que existem por aqui.

Hoje estou mais usual das fotos que do texto, rs... não se trata de preguiça, digamos que seja uma variação de estilo, rs. Afinal as imagens também se comunicam e às vezes, como diz o velho ditado: "uma imagem vale por mil palavras".

Quero usar essas imagens e oferecer a cada pessoa que se integra ao Girobrasil, seja da maneira que for. Que essas águas do Salto de São Francisco purifique tod@s.
Que a exuberância e resistência das araucárias (árvore nativa da região sul, quase extinta) sejam uma luz presente na vida de cada pessoa. E que essas flores, especiais, dêem cores e energias positivas... Tenho um carinho especial por todos que acessam, comentam, usam os textos, e acima de tudo torcem e fazem do Girobrasil um sonho coletivo.
Fiquem tod@s bem, se cuidem, e não esqueçam: "tu te tornas responsável pelo que cativas".














domingo, fevereiro 04, 2007

GIROBRASIL - VAMOS NESSA...

Saindo de Cpo Gde (31/01) passei por Terra Roxa - PR, fiquei na casa dos amigos Furlan. Eles eram meus vizinhos e agora estão pra cá, são como meus familiares. Adorei revê-los e estar com eles. Obrigado pela hospedagem e pela energia positiva.

Mas é preciso seguir estrada....

Guarapuava - PR, estou nessa cidade, bonita, bem ordenada, em crescimento e bem servida de parques verdes. Sopra um vento gelado e forte, estamos a 1.200mts de altitude. O grande parceiro aqui é o professor Sandro, também motoqueiro (ele já viajou por muitos países). A cidade é simpática. Não me alongarei no texto, apenas quero situá-los do roteiro. Pretendo descer para Foz, ir contornando a fronteira e depois subir pela região litorânea.

A região Sul tem muita coisa bonita, aspectos históricos e naturais. Realmente o Brasil é surpreendente e encantador. Vale a pena cada um, cada pessoa, conhecer o que puder na sua região e no seu país. Só assim podemos defender melhor nossos patrimônios e entender nossa história e origem.
nem só de beleza se faz o girobrasil...
È isso ai mesmo, levei um tombaço. Haviam derramado óleo nessa curva, a moto deslizou e rodou na pista; resultado: alguns ralões, mas nada grave, graças a Deus. Juro que essa parte não é nada agradável, rs. Mas também é "esperada" no roteiro, rs.
Forte abraço a tod@s, fiquem bem e muita luz.
Não esqueçam de acessar, divulgar, comentar e interagir com o Girobrasil. Obrigado e até a próxima.


segunda-feira, janeiro 29, 2007

E AS ESTRADAS ME ESPERAM...

È isso galera, chega de "férias"... curti a família e amigos, namorei, descansei e recarreguei a "bateria", agora é hora de encarar a fase dois do Girobrasil! Não entrarei aqui em detalhes do que fiz ou deixei de fazer, mas resumo de uma forma simples: foi maravilhosso o regresso temporário para casa. Valeu a pena.
pé na estrada...
Nesta quarta (31/01) retomo as viajens. O planejamento, com a permissão de Deus, é descer pelo Sul do país e subir rumo ao nordeste. Creio que seja uma fase mais longa, algo entorno de 06 a 08 meses fora de casa, oxalá ocorra tudo bem. Sem muitas delongas informo que estamos , eu e a vermelhinha, voltando ao trecho.
Cada leitor, cada amigo, continue vibrando, rezando, torcendo e dando força, além de divulgar... pois essa energia que emana de cada um é indispensável para ocorrer tudo bem. Entrem no blog, leiam, comentem os textos, vamos manter contatos. Abraços, muita luz e energia boa nesse 2007.
"O universo é o limite, e o que me limita é o universo que tenho dentro de mim" (alguém do TO)

quarta-feira, dezembro 06, 2006

QUEBRADEIRAS DE CÔCO


Babaçulândia, norte do Tocantins e as margens do rio. A região leva esse nome devido a grande quantidade de palmeiras de babaçu, côco da região. Deste se extrai óleo e se produz artesanato e carvão. O local é pobre e de difícil acesso. Para chegar é preciso encarar lamas, ribeirão (sem ponte) e muitos buracos . A vila Garrancho é isolada (literalmente; quando o riberião enche ninguém entra e nem sai, ele é um divisor natural). Sem infra-estrutura. Aqui são muitas as Marias, Josefas, Keilas e Cleuzas que do babaçu dependem para viver. O dia dessas mulheres começa cedo e não é nada fácil. É preciso se embrenhar na mata e catar os côcos (muitas aproveitam e extraem a castanha por lá mesmo). Trabalhar com o produto, que exige força e habilidade. E assim, de castanha em castanha, artesanato em artesanato, elas vão se mantendo e mantendo suas famílias. O ofício é passado de geração a geração. Há anos se tornou a forma de sustento e trabalho. É o que esse povo aprendeu a fazer. É o que os mantém nesse local.
o orgulho...
Há três anos elas organizaram a Associação de Quebradeiras de Côco, e estão orgulhosas. Compraram maquinários e entraram de vez na produção do artesanato. Aproveitando o babaçu por inteiro. "Tenho orgulho de ser quebradeira de côco", afirma Keila, a presidente. As peças têm valor agregado e dá melhor renda para as artesãs. Compensa pelo financeiro e também é menos trabalhoso que a forma tradicional de quebra.
o medo...
Tudo caminha bem, obrigado. Ôpa, será? A associação está montada e vendendo muito. Dando outra cara e sentido ao local (castigado). Mas...há uma ameaça, ou promessa? Parte da região norte, às margens do rio Tocantins, está fadada á morte. Um mega projeto de construção de usina hidrelétrica está em andamento. Muitos lugares, inclusive Babaçulândia, será coberto de águas. Interesses de grande capital. "Parece um castigo. A gente conseguiu se organizar, estamos vivendo melhor e corremos esse risco. Nem sabemos pra onde vamos e como vamos ficar!", desabafa dona Maria.
a compensação ...a dúvida...
Como medida compensatória a empresa responsável pela barragem irá deslocar as famílias e "indenizá-las" (no Brasil já vivemos muitos problemas parecidos). Prometem (avalizadas pelo governo) infra-estrutura e condições "dignas" (o que será digno para eles?). A grande dúvida que paira no ar é: além das famílias eles também removerão as palmeiras de babaçu? Ou será que as donas Marias, Josefas, Keilas e Cleuzas terão que se virar, resgatar suas auto-estimas e econtrarem outro sentido na vida?

sábado, dezembro 02, 2006

ESSA VEIO PRA DERRUBAR

Espirro, febre. Dói aqui, dói ali. O nariz sangra, o corpo está "moido". Peito chiando, tosse, respiração ofegante. Há tempos eu não tinha uma crise de bronquite aliada a tão forte gripe e asma. Cama o dia todo. Perdi as contas de quantos chás e remédios tomei. Fiz inalações (e muitas vezes). Desmarquei compromissos. A minha saúde parece estar pedindo um tempo. Não sou de entregar os pontos, mas nesse caso eu me rendo.
a família substituta...
Sorte minha a de estar hospedado na casa da família Beserra (com "s" mesmo), sou tão bem tratado que já me sinto um membro. Graças a eles o meu desespero não é maior (doente longe de casa é mais frágil). Cuidam de mim, se preocupam com a minha alimentação e dormida. Um agradecimento especial a Fátima e a Beatriz. Me cuidam como filho. O tempo todo é cházinho, remédios e estão sempre à porta do quarto perguntando: " tá melhor?", "precisando de alguma coisa?". Obrigado e desculpem a trabalheira. Na noite, as crises respiratórias foram tão intensas que ninguém dormiu; desculpem. Não há como descansar. Acabo constrangido por atrapalhar o sono de todos, e ao mesmo tempo me sinto amparado.
os amigos
Adoecer não é nada bom. Imagine longe de casa e dos amigos! Amigos me são presentes aqui. Sou um doente com direito a visitas. Daqueles que ficam no quarto (cena engraçada) com cadeira do lado da cama, para receber quem chega. Isso me anima.
a saúde pede um tempo...
Tenho trabalhado bastante (oficinas de teatro e comunicação), feito apresentações, participado de bates-papos e conhecido lugares e pessoas. Viajo os arredores, histórias vivas; passo o dia em vilarejos e matas a dentro. Desde a saída já foram mais 8 mil km. No norte o calor é demasiado, as chuvas constantes. Imagina: você sai com o tempo bom, de repente chuva e em seguida sol escaldante. Não tem como se preteger, ainda mais de moto. Assim não há resitência que dê conta. Preciso de repouso e chás mesmo, rs.
Ficarei aqui até finalizar a agenda já assumida (ultimas atividades terminam em 18/12). Pretendo encarar os 2.200 km (de retorno) e passar o Natal e Ano Novo com a família (além de ser data especial, minha mãe passará por cirurgia nesse período). Descansado e recuperado seguirei com o Girobrasil em 2007 pela rota Sul, Nordeste e Norte, assim, estarei livre do período chuvoso aqui. Esse é o desafio do Girobrasil: conhecer e viver cada região do nosso Brasil. Sem medo de mudanças e adaptações.
aos leitores e amigos...
Tenho um compromisso com vocês. Informar da viagem e divulgar o que acontece. É muito bom acessar o blog e receber vossos comentários. Obrigado. Continuem acessando e divulgando. Usem os textos se lhes servirem (seja em sala de aula ou mostrando a amigos), esse intercâmbio é o barato de tudo. Vamos revelar os brasis existentes dentro do nosso Páis. Até o próximo texto (breve).