Trinta anos no mesmo local, sem um dia de descanso, sem férias e sempre atendendo... Assim é a vida do "cigano", morador de rua de Vitória-ES, ele conserta sobrinhas, guarda-chuva e coisas do gênero. Tem uma companheira, que ele a chama de "funcionária", não se trata de esposa, mas de ajudante de trabalho. Em matéria de auto-estima, pouco sorri, mas se considera um grande consertador, o melhor e mais eficiente. E tem suas exigências: não aceita dar entrevistas em dias de semana, no máximo uma foto e se conseguir driblá-lo pode ser que responda algumas perguntas.O encontrei na terça-feira, em uma calçado do centro próximo a Beira Mar, não seria possivel esperar o fim de semana para ter informações, embora tenha me chamado a atenção. O Cigano, como é conhecido, é falante e metido a entendor de tudo. Inclusive de outras linguas, dá gosto de ver. Na conversa é possível perceber que ele tem orgulho do que faz, apesar de mágoas no coração e descontentamento nos olhos. Vez ou outra tem problemas com a policia, "sabe como é a situação de morador de rua né, o rapa (polícia) sempre está no pé e enche o saco", relata.
Aprendeu sozinho o ofício e diz ter muitos clientes (eu não vi nenhum). O que me marcou nesse figura foi essa outra forma de viver na e da rua. Ao invés de pedir, oferece seu trabalho. Não tens nada, mas não perdeu o que de melhor poderia ter: a autoconfiança, embora seja o Cigano que não sai do lugar.



Bom, eu ia escrever um texto, mas confesso que me faltaram palavras diante das imagens... em resumo: Esse é o Salto de São Francisco, localizado em Prudentópolis, norte do Paraná. Uma cachoeira maravilhosa, dentre tantas que existem por aqui. 




