segunda-feira, março 26, 2007

VIDA CIGANA?

Trinta anos no mesmo local, sem um dia de descanso, sem férias e sempre atendendo... Assim é a vida do "cigano", morador de rua de Vitória-ES, ele conserta sobrinhas, guarda-chuva e coisas do gênero. Tem uma companheira, que ele a chama de "funcionária", não se trata de esposa, mas de ajudante de trabalho. Em matéria de auto-estima, pouco sorri, mas se considera um grande consertador, o melhor e mais eficiente. E tem suas exigências: não aceita dar entrevistas em dias de semana, no máximo uma foto e se conseguir driblá-lo pode ser que responda algumas perguntas.
O encontrei na terça-feira, em uma calçado do centro próximo a Beira Mar, não seria possivel esperar o fim de semana para ter informações, embora tenha me chamado a atenção. O Cigano, como é conhecido, é falante e metido a entendor de tudo. Inclusive de outras linguas, dá gosto de ver. Na conversa é possível perceber que ele tem orgulho do que faz, apesar de mágoas no coração e descontentamento nos olhos. Vez ou outra tem problemas com a policia, "sabe como é a situação de morador de rua né, o rapa (polícia) sempre está no pé e enche o saco", relata.
Aprendeu sozinho o ofício e diz ter muitos clientes (eu não vi nenhum). O que me marcou nesse figura foi essa outra forma de viver na e da rua. Ao invés de pedir, oferece seu trabalho. Não tens nada, mas não perdeu o que de melhor poderia ter: a autoconfiança, embora seja o Cigano que não sai do lugar.

sexta-feira, março 16, 2007

BALANÇO DO SUL...

Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e de lambuja: Paraguai, Argentina e Uruguai. Muitas emoções, frio, e também muito calor ( o sul está quatro graus a mais que a média dos últimos dez anos). Imagens, há e máquina fotográfica perdida (com arquivo de mais de mil imagens, buá), rs. Revi amigos, fiz novas amizades. Entrevistei pessoas, conheci histórias e lugares. Matérias em jornais e tv. Assisti várias peças teatrais, inclusive uma de Campo Grande. Foi bom.
Do Sul levo lembranças e articulações, descobri talentos, levo amigos. Me ocorreram histórias inimagináveis (estarão no livro, rs). Cai de moto, ralei-me. Passei por serras e morros maravilhosos, entrei na meu próprio interior. Me provoquei, me superei. Em um rápido balanço: foi ótimo.
Saindo do Sul uma semana em SP, reencontro com amigos e familiares, participaçao na Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia) na USP. Contatos para possível mestrado. Passagem e descanso no RJ (cada vez mais violenta e perigosa, dá medo), seguindo ao ES (chego lá ainda hj 19/03). Entro na fase do nordeste...vamos rodar (eu e vermelhinha), há um bom chão pela frente...forte abraço e luz a tod@s. Na estrada, nos pensamentos, nas vivências...girobrasil.

UM DIA TRÊS PAÍSES

Foz do Iguaçu. Cheguei, conheci a cidade; simpática e acolhedora. Arborizada e estruturada para o turismo. Pasmem: as placas informativas funcionam, pode-se guiar por elas (como é chato vc entrar em uma cidade e seguir placas que nunca te levam ao local que indicam, rs). Me rendi aos encantos das Cataratas do Iguaçu. Lindo. Mais lindo é saber e ver de perto a tripla fronteira. No mesmo dia transitei e "conheci" o Paraguai, Brasil e Argentina. Acabei optando por durmir na cidade Puerto Guazú - AR.
Pequena, simples e muito interessante. Me bateu uma vontade danada de adentrar América Latina; bom, mas isso pode ser o proximo: GIRO-AMÉRICA DO SUL, rs. É impressionante poder traçar um rápido paralelo entre esses três povos e ver como a região de fronteira é gentil e "harmônica". Apesar das diferenças no trânsito, moedas, tradições e costumes, pode-se observar a tolerância e amistozidade existente, os povos se fundem. Há uma relação fraternal.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

O MINUTO

Parece pouco. Pode ser muito. Depende da situação! Um minuto para observar, para sonhar. Se for para sofrer já é demais.
E o que fazer com um minuto? Se é pra escolher, ah! Escolhas...sempre presente em todos os minutos. Em um pode-se ter a vida, em outro a morte.
O fato é que os nossos minutos só a nós pertencem.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

APRENDAMOS COM ELES...

Hoje sentei-me no banco da praça, a frente um lago rodeado de árvores, no centro da cidade. Aos poucos se ouvia alguns pássaros cantando, outros aproveitavam o gramado para se alimentar. De repente algo me chama a atenção: uma ave, eu conheço como rolinha (espécie de pequena pomba), selecionando gravetinhos para construir um ninho. Que interessante. Fiquei horas a observar. Ela vinha de uma árvore, pouco atrás do banco que eu sentara, pousava na grama a minha frente (parecia que queria mesmo ser observada e transmitir algo, rs). Vários aprendizados foi possível tirar dessa observação.
Seletividade - a ave, em um processo altamente seletivo testava a qualidade dos gravetos. Prendia-os no bico e batia contra o chão. Se aprovado, alçava vôo, depositava-o no canto seguro da árvore, arquitetando o ninho. E assim prosseguia. Essa "seletividade" se faz necessária, afinal depende disso a garantia de que seus ovos e filhotes estarão protegidos. E nós, humanos, somos seletivos assim também? Temos esse cuidado com a vida; escolhemos os "gravetos" que irão nos acompanhar, fazer parte da nossa história?
Paciência - Para cada graveto, um vôo de ida e outro de volta. São muitos os testados e poucos os aprovados. Sai do chão, graveto no bico, deposita na posição ordenada, volta ao chão e procura outro. Nada fácil, imagine o cansaço. Essa ave pode até agir por instinto, mas sabe da importância do que está fazendo. E nós, será que temos a paciência necessária diante da vida? Das adversidades? Temos essa compreensão de que pequenos gestos, pequenos atos, feitos com respeito e carinho fazem a diferença, são importantes?
Amor - Sei que para muitos o que a pombinha fez não passa de obrigação e instinto. Mas temos que concordar: há muito amor nisso tudo. Ela poderia pôr seus ovos em qualquer lugar, ou fazer o ninho de qualquer jeito, mas não. Preferiu se dedicar, abrir mão de outras coisas, dar o melhor de si.
Realmente foi ótimo observar esse gesto, esse comportamento e dedicação. Pena não ter sido possível fotografar, queria que vocês vissem o brilho no olhar dela ao executar essas tarefas. Surpreendente.
Que assim, como esta pombinha, nós também possamos fazer da vida uma constante em seletividade, paciência, dedicação e amor. Que tenhamos o mesmo cuidado com todos os seres humanos.

SERÁ QUE NADA MUDOU?!


O Girobrasil tem me levado a vários estados brasileiros (MS, SP, RJ, MG, DF, GO, TO, PR,RS), e muitos há por vir. Tenho visto lindas paisagens, conhecido boas pessoas. Gente que faz a diferença, acredita e luta por uma realidade diferente. Mas uma coisa tem me intrigado e revoltado.
Em todos os lugares por onde passei quando vejo mendigos, catadores de materiais recicláveis ou moradores de rua, na maioria, quase totalidade, são negros. Ou como se diz no popular (carregado de preconceito) "escurinhos". E vai desde crianças até idosos. Como por exemplo a dona Castorina Alves da Costa, 67, catadora há 06 anos. "Encontrei aqui a unica forma de levar comida pra casa. Catando e vendendo papel", explica.
Não que não existam brancos nessas condições, mas são minoria (ao menos é o que percebo); e não estou defendo igualdade pra ser pobre e "excluído". Estou mesmo é indignado com essa discriminação e exclusão social. Até quando vamos suportar isso? Até quando vamos aceitar como "normal" que uns comam e durmam bem enquanto outros são jogados a própria sorte? Tanto já se fez pelo combate a discriminação e exclusão, mas será que pouco avançamos?
Sei que esse tema já é desgastado pelos discursos políticos, e que até existem algumas ações com o objetivo de reverter a situação. Mas quero provocar você leitor: o que você tem feito no seu dia-a-dia para diminuir essa desigualdade? Essa brutal desigualdade.
Creio que cada um, no seu cotidiano, pode e deve pensar e agir. Mudar o rumo, dar outro sentido e ser mais humano e fraterno. Todas as ações são interligadas, quer a gente aceite ou não; o que se faz aqui se reflete ali. Pode ser que o próximo excluído seja alguém bem próximo a você. Que bom seria se dona Castorina pudesse estar desfrutando a velhice que já lhês é imposta.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

AS IMAGENS FALAM POR SI...

Bom, eu ia escrever um texto, mas confesso que me faltaram palavras diante das imagens... em resumo: Esse é o Salto de São Francisco, localizado em Prudentópolis, norte do Paraná. Uma cachoeira maravilhosa, dentre tantas que existem por aqui.

Hoje estou mais usual das fotos que do texto, rs... não se trata de preguiça, digamos que seja uma variação de estilo, rs. Afinal as imagens também se comunicam e às vezes, como diz o velho ditado: "uma imagem vale por mil palavras".

Quero usar essas imagens e oferecer a cada pessoa que se integra ao Girobrasil, seja da maneira que for. Que essas águas do Salto de São Francisco purifique tod@s.
Que a exuberância e resistência das araucárias (árvore nativa da região sul, quase extinta) sejam uma luz presente na vida de cada pessoa. E que essas flores, especiais, dêem cores e energias positivas... Tenho um carinho especial por todos que acessam, comentam, usam os textos, e acima de tudo torcem e fazem do Girobrasil um sonho coletivo.
Fiquem tod@s bem, se cuidem, e não esqueçam: "tu te tornas responsável pelo que cativas".














domingo, fevereiro 04, 2007

GIROBRASIL - VAMOS NESSA...

Saindo de Cpo Gde (31/01) passei por Terra Roxa - PR, fiquei na casa dos amigos Furlan. Eles eram meus vizinhos e agora estão pra cá, são como meus familiares. Adorei revê-los e estar com eles. Obrigado pela hospedagem e pela energia positiva.

Mas é preciso seguir estrada....

Guarapuava - PR, estou nessa cidade, bonita, bem ordenada, em crescimento e bem servida de parques verdes. Sopra um vento gelado e forte, estamos a 1.200mts de altitude. O grande parceiro aqui é o professor Sandro, também motoqueiro (ele já viajou por muitos países). A cidade é simpática. Não me alongarei no texto, apenas quero situá-los do roteiro. Pretendo descer para Foz, ir contornando a fronteira e depois subir pela região litorânea.

A região Sul tem muita coisa bonita, aspectos históricos e naturais. Realmente o Brasil é surpreendente e encantador. Vale a pena cada um, cada pessoa, conhecer o que puder na sua região e no seu país. Só assim podemos defender melhor nossos patrimônios e entender nossa história e origem.
nem só de beleza se faz o girobrasil...
È isso ai mesmo, levei um tombaço. Haviam derramado óleo nessa curva, a moto deslizou e rodou na pista; resultado: alguns ralões, mas nada grave, graças a Deus. Juro que essa parte não é nada agradável, rs. Mas também é "esperada" no roteiro, rs.
Forte abraço a tod@s, fiquem bem e muita luz.
Não esqueçam de acessar, divulgar, comentar e interagir com o Girobrasil. Obrigado e até a próxima.


segunda-feira, janeiro 29, 2007

E AS ESTRADAS ME ESPERAM...

È isso galera, chega de "férias"... curti a família e amigos, namorei, descansei e recarreguei a "bateria", agora é hora de encarar a fase dois do Girobrasil! Não entrarei aqui em detalhes do que fiz ou deixei de fazer, mas resumo de uma forma simples: foi maravilhosso o regresso temporário para casa. Valeu a pena.
pé na estrada...
Nesta quarta (31/01) retomo as viajens. O planejamento, com a permissão de Deus, é descer pelo Sul do país e subir rumo ao nordeste. Creio que seja uma fase mais longa, algo entorno de 06 a 08 meses fora de casa, oxalá ocorra tudo bem. Sem muitas delongas informo que estamos , eu e a vermelhinha, voltando ao trecho.
Cada leitor, cada amigo, continue vibrando, rezando, torcendo e dando força, além de divulgar... pois essa energia que emana de cada um é indispensável para ocorrer tudo bem. Entrem no blog, leiam, comentem os textos, vamos manter contatos. Abraços, muita luz e energia boa nesse 2007.
"O universo é o limite, e o que me limita é o universo que tenho dentro de mim" (alguém do TO)

quarta-feira, dezembro 06, 2006

QUEBRADEIRAS DE CÔCO


Babaçulândia, norte do Tocantins e as margens do rio. A região leva esse nome devido a grande quantidade de palmeiras de babaçu, côco da região. Deste se extrai óleo e se produz artesanato e carvão. O local é pobre e de difícil acesso. Para chegar é preciso encarar lamas, ribeirão (sem ponte) e muitos buracos . A vila Garrancho é isolada (literalmente; quando o riberião enche ninguém entra e nem sai, ele é um divisor natural). Sem infra-estrutura. Aqui são muitas as Marias, Josefas, Keilas e Cleuzas que do babaçu dependem para viver. O dia dessas mulheres começa cedo e não é nada fácil. É preciso se embrenhar na mata e catar os côcos (muitas aproveitam e extraem a castanha por lá mesmo). Trabalhar com o produto, que exige força e habilidade. E assim, de castanha em castanha, artesanato em artesanato, elas vão se mantendo e mantendo suas famílias. O ofício é passado de geração a geração. Há anos se tornou a forma de sustento e trabalho. É o que esse povo aprendeu a fazer. É o que os mantém nesse local.
o orgulho...
Há três anos elas organizaram a Associação de Quebradeiras de Côco, e estão orgulhosas. Compraram maquinários e entraram de vez na produção do artesanato. Aproveitando o babaçu por inteiro. "Tenho orgulho de ser quebradeira de côco", afirma Keila, a presidente. As peças têm valor agregado e dá melhor renda para as artesãs. Compensa pelo financeiro e também é menos trabalhoso que a forma tradicional de quebra.
o medo...
Tudo caminha bem, obrigado. Ôpa, será? A associação está montada e vendendo muito. Dando outra cara e sentido ao local (castigado). Mas...há uma ameaça, ou promessa? Parte da região norte, às margens do rio Tocantins, está fadada á morte. Um mega projeto de construção de usina hidrelétrica está em andamento. Muitos lugares, inclusive Babaçulândia, será coberto de águas. Interesses de grande capital. "Parece um castigo. A gente conseguiu se organizar, estamos vivendo melhor e corremos esse risco. Nem sabemos pra onde vamos e como vamos ficar!", desabafa dona Maria.
a compensação ...a dúvida...
Como medida compensatória a empresa responsável pela barragem irá deslocar as famílias e "indenizá-las" (no Brasil já vivemos muitos problemas parecidos). Prometem (avalizadas pelo governo) infra-estrutura e condições "dignas" (o que será digno para eles?). A grande dúvida que paira no ar é: além das famílias eles também removerão as palmeiras de babaçu? Ou será que as donas Marias, Josefas, Keilas e Cleuzas terão que se virar, resgatar suas auto-estimas e econtrarem outro sentido na vida?

sábado, dezembro 02, 2006

ESSA VEIO PRA DERRUBAR

Espirro, febre. Dói aqui, dói ali. O nariz sangra, o corpo está "moido". Peito chiando, tosse, respiração ofegante. Há tempos eu não tinha uma crise de bronquite aliada a tão forte gripe e asma. Cama o dia todo. Perdi as contas de quantos chás e remédios tomei. Fiz inalações (e muitas vezes). Desmarquei compromissos. A minha saúde parece estar pedindo um tempo. Não sou de entregar os pontos, mas nesse caso eu me rendo.
a família substituta...
Sorte minha a de estar hospedado na casa da família Beserra (com "s" mesmo), sou tão bem tratado que já me sinto um membro. Graças a eles o meu desespero não é maior (doente longe de casa é mais frágil). Cuidam de mim, se preocupam com a minha alimentação e dormida. Um agradecimento especial a Fátima e a Beatriz. Me cuidam como filho. O tempo todo é cházinho, remédios e estão sempre à porta do quarto perguntando: " tá melhor?", "precisando de alguma coisa?". Obrigado e desculpem a trabalheira. Na noite, as crises respiratórias foram tão intensas que ninguém dormiu; desculpem. Não há como descansar. Acabo constrangido por atrapalhar o sono de todos, e ao mesmo tempo me sinto amparado.
os amigos
Adoecer não é nada bom. Imagine longe de casa e dos amigos! Amigos me são presentes aqui. Sou um doente com direito a visitas. Daqueles que ficam no quarto (cena engraçada) com cadeira do lado da cama, para receber quem chega. Isso me anima.
a saúde pede um tempo...
Tenho trabalhado bastante (oficinas de teatro e comunicação), feito apresentações, participado de bates-papos e conhecido lugares e pessoas. Viajo os arredores, histórias vivas; passo o dia em vilarejos e matas a dentro. Desde a saída já foram mais 8 mil km. No norte o calor é demasiado, as chuvas constantes. Imagina: você sai com o tempo bom, de repente chuva e em seguida sol escaldante. Não tem como se preteger, ainda mais de moto. Assim não há resitência que dê conta. Preciso de repouso e chás mesmo, rs.
Ficarei aqui até finalizar a agenda já assumida (ultimas atividades terminam em 18/12). Pretendo encarar os 2.200 km (de retorno) e passar o Natal e Ano Novo com a família (além de ser data especial, minha mãe passará por cirurgia nesse período). Descansado e recuperado seguirei com o Girobrasil em 2007 pela rota Sul, Nordeste e Norte, assim, estarei livre do período chuvoso aqui. Esse é o desafio do Girobrasil: conhecer e viver cada região do nosso Brasil. Sem medo de mudanças e adaptações.
aos leitores e amigos...
Tenho um compromisso com vocês. Informar da viagem e divulgar o que acontece. É muito bom acessar o blog e receber vossos comentários. Obrigado. Continuem acessando e divulgando. Usem os textos se lhes servirem (seja em sala de aula ou mostrando a amigos), esse intercâmbio é o barato de tudo. Vamos revelar os brasis existentes dentro do nosso Páis. Até o próximo texto (breve).

quarta-feira, novembro 22, 2006

IR OU FICAR?

Chegar, ficar. As horas vão passando, as amizades nascendo. Uma apresentação aqui, outra acolá. Um projeto novo, um desafio maior, uma esperança de mudanças (no sentido literário) de poder deixar uma contribuição e também levar algo. Aos poucos a sensação é de estar inserido no processo local, de fazer parte da história e da realidade do lugar. Respirar. Sonhar e voltar com os pés no chão. Aqui no Tocantins estou superando o limite de dias imaginado (e bem acima, já estou há 15 dias, quando o pensado eram 08). As coisas vão acontecendo. Surgem propostas de trabalho, desafios e ao mesmo tempo o reconhecimento de um sonho (e na verdade preciso de trabalho, pois não há patrocinador no Girobrasil).
as redes se fazem...
Uma saída, um bar, uma oficina teatral, no encontro entre amigos, em uma universidade; se conhece pessoas, gente. E quase como uma regra química os semelhantes se encontram (ou se opoem?). Tenho conhecido uma galera de sangue bom, professor José Manoel, Professora Lia, Patricia (e toda turma da Visão Mundial), Artemisa, Edilberto, e a família do Welliton, que acreditam em transformação social. Gente do bem. Amigos e parceiros. Aos poucos vamos tecendo a rede da vida, pois é assim que vivemos, em rede. Já dizia Fernando Pessoa: "Nenhum homem é uma ilha". È preciso estar em conjunto, em coletivo.
O calor e as chuvas repentinas do norte delimita o sentimento humano, da presteza e do agrado. È preciso olhar com calma para não se entregar de vez.
ir ou ficar...
A entrega às necessidades culturais, a receptividade do povo. Ir ou ficar? Reflexão indispensável. Em breve irei, e preciso prosseguir. Mas preciso cumprir algumas agendas assumidas (e ficar atento, pois a cada dia me surgem novos convites, confesso que me faz bem, sinto reciprocidade, mas há muito a conhecer ainda pelo Brasil). Que os leitores tenham a certeza que a cada dia (mesmo diante das dificuldades encontradas) afirmo meu pensamento de que há gente que gosta de gente. Que gosta com a pureza do humano (ao mesmo tempo complexo), que gosta de forma gratuita e livre. E que faz disso uma forma de vida.

sábado, novembro 11, 2006

VOLTA AO TEMPO

Hoje voltei ao tempo;
revi pessoas e coisas,
relembrei momentos...

Respiro. Reviro-me de um lado para outro. Sensação de desconforto. Em consciência nada me importuna. Mas há uma sensação de nostalgia. Tenho lido e ouvido as histórias do lugar, das brigas contra a injustiça social e da busca de sonhos (como a reforma agrária). Conheço por relatos e textos o Josimos (Pe. morto por defender os excluídos); tomo ciência do exemplo da quebradeiras de côco (mulheres que se associaram pela sobrevivência); da guerrilha do Araguaia (camponeses pela reforma agrária, brutalmente assassinados); me contorço. Não há conformidade.
Latente em mim pulsa algo que não sei definir, mas que me deixa fora do "normal". Emotivo. Pasmo e ao mesmo tempo com vontade de fazer algo. Não sei o quê, nem como como.
Me dá saudades, me dá raiva, me dá alegria. Me faz respirar profundamente ( no ar e na história). Fica a certeza: algo me incomoda e, é como se fosse um vulcão em processo de aquecimento. Podendo entrar em erupção ou até mesmo adormecer mais tempo. Não tenho respostas, e nem ação. Mas sei que hora ou outra entederei algo, "a ficha cairá" e poderei compreender o que agora nem faço idéia... Por enquanto recorro a respiração e essas anotações como alívio paliativo...

quarta-feira, novembro 08, 2006

SOBREVIVI A BR 153...

O dia começa a clarear; o relógio marca 6hs e 50min, manhã fresca e gostosa de segunda-feira (06/11), ar de chuva. Com a traia organizada sigo estrada, inicialmente pela GO 431 (pista boa) e logo chego a BR 153 (conhecida como Belém-Brasília). Começa a prova de resistência e sobrevivência.
a vida pede passagem...
São horriveis os buracos e as condições da via. Não há acostamento, sinalização e nenhuma condição de tráfego. Os motorista saem como famintos de pés cortados, se arrastejam. Não existe mão para quem vai ou para quem vem, só existe caminho pra quem consegue sobresair aos buracos, verdadeiro caos.
Não há possibilidades nem de encostar a moto para fotografar, nenhum local seguro, nenhum mesmo. Por vezes corri risco de vida, fui expulso ao mato (pois acostamento não existe). Assustei. Freadas intensas, e por muito a sensação de perigo me altera, assusta, desanima, eita estrada nojenta.
curioso:
Embora a precariedade tome conta do trecho de 200km acima descrito, não avistei (graças a Deus) nenhum acidente. Bastou entrar em pista confortável (já reformada e decente) que em menos de 30 km presencio um desgovernamento de carreta, provocando tumulto na via.
O motorista perdeu o controle e deu o famoso L (situação em que a cavalinho -frente da carreta- se vira totalmente e forma em conjunto com a traseira a letra L), estrago material, mas nehuma vítima, apenas uma hora de trânsito parado. Os guinhos entram em ação e liberam a estrada.
Percorri 766 km neste dia, no trecho final (130km) uma chuva me acompanhou e refrescou a tardinha. Per noitei em Paraíso do Tocantins. Manhã seguinte é preciso encarar os 360 Km restantes.
rodas na estrada...
Depois de uma boa noite de sono é hora de voltar a estrada, agora em melhores condições de tráfego. Me acampanha um tempo nublado e um calor infernal (começo a entender que estou no norte, rs).
Chego no início da tarde em Araguaína - TO, ufa, graças a Deus!
Da estrada guardo a sensação de estar sempre no fio da navalha. Qualquer erro (por mais bobo que seja), qualquer descuido (seja fração de miléssimos de segundo), pode ser fatal...

domingo, novembro 05, 2006

GOIÁS...GOIÁS...

Em Goiânia-GO foi recebido pela galera do CJ (Coletivo Jovem do Meio Ambiente), Diogo, Patricia (namorada dele) e o Jorge; depois conheci o Anselmo, uma turminha especial. Fiquei hospedado na casa do Diogo (ele mora com avós e parece hotel de trânsito toda hora tem gente diferente na casa, rs). Me levaram pra conhecer a cidade, e organizaram minha agenda, marcaramm escolas, entrevistas e city tur. O Diogo viajou e mudei a hospedagem pra casa do Anselmo (ele também mora com avó, rs). Encerrei as atividades em Gioânia na quinta (feriado). O Girobrasil chegou à escola estadual Irmã Gabriela (falei com 200 jovens, foi ótimo), entrevistei o Gabriel (um papo cabeça sobre homossexualidade e jovens), muitas imagens da cidade. Fui a teatros, conheci muitas pessoas e batemos muito papo. O CJ organizou a ida para Perinópolis, e o Anselmo foi meu guia e auxiliar (cara super gente boa e amigo).
Pirenópolis - história e cachoeiras...
Em Peri conheci a Aline e o Luiz (eles também são do CJ-GO e namorados), fiquei hospedado numa chacara modesta, a 4km da cidade (rica em frutas, casa do Luiz). E lá se iniciaram as entrevistas, fotos e caminhadas. A cidade é rica em arquitetura e história, além de cachoeiras e gente interessante (não entrarei em detalhes, afinal tem que ficar algo pro livro né, rs), valeu a pena. Aproveitei a vinda do Anselmo e incentivei-o a conhecer a área de comunicação, ele fez imagens, experimentou na prática o fazer. No domingo almoçamos com a familia da Aline (agricultores e artesãos), comida caseira e deliciosa, feita no sítio.
o que fica de Goiás...
A passagem por Goiás me surpreendeu. Estive a vontade, me senti em casa. Conhecer a galera do Coletivo Jovem me fez voltar ao tempo, a minha história. Me vi quando no Clube de Ciências, Grêmio e Grupo de Teatro Estudantil, as oportunidades e descobertas afloravam ( é algo maravilhoso descobrir outros pensamentos, outros mundos). Recordei-me como as pessoas que passam por nossa vida são importantes e podem deixar inúmeras contribuições (nisso fui privilegiado, a vida me colocou em contato com muitas pessoas especiais). Poder estar com essa turma foi algo incomensurável. E espero ter deixado a minha contribuição (pois a deles eu levo comigo), que essa turma, agora amigos, realizem os sonhos, conquistem seus espaços. No coração levo a certeza de ter encontrado gente do bem, na alma o sentimento de ter sido útil.
rumo ao Tocantins
Sigo nesta segunda (06/11) para Araguaína - TO, tenho mais 1.200 km pela frente (ufa, rs). Quero poder conhecer o Jalapão e cumprir meus compromissos com a galera da Unitins (darei uns cursos na Uiversidade Estadual do Tocantins). Amig@s fiquem bem, e não se esqueçam de acessar, comentar e divulgar. Vocês me dão forças e energias para a continuidade... Abraços...

sábado, outubro 28, 2006

A FORÇA QUE VEM DA JUVENTUDE


Sorrisso aberto, olhares atentos e curiosos... perguntas e posicionamentos dos mais variados. São jovens estudantes; alguns de escola pública outros da Universidade. Aos poucos vão se abrindo, falando de seus sonhos, desafios de vida e problemas mais comuns. Impressiona como uma boa energia toma conta do ar. Há uma interação entre os olhares, os sentimentos. Em Brasilia pude realizar um verdadeiro intercâmbio entre alunos da periferia na cidade satélite de Ceilândia, de classe média no Guará e estudantes de artes da UNB (Universidade de Brasília). Foi muito bom. Me fez bem ver o brilho no olhar e me contagiar com estes.
sou de Brasilia sim senhor...
o Girobrasil esteve aqui em bom momento (senti isso) a galera externou com afinco suas posições em relação a auto-estima. Nesse tema há algo que quem mora em Brasilia faz questão de dizer: "Sou de Brasília sim". Mas isso quer dizer mais que ser morador dessa região. É uma expresão carregada com um sentimento de: sou daqui e aqui não se resume a políticos e corrupção. Aqui tem gente e gente de verdade.
Entre os jovens isso é latente, desperta o gigante que há dentro de cada um e parece que em breve isso pode gerar novos comportamentos (essa insatisfação de como a capital do país é vista fora daqui os deixa indignados, e isso uma hora se transforma).
eu faço parte...
Seja de onde for (capital ou cidade satélite) a vontade é gritar a mesma coisa: "eu faço parte". Parte de uma turma que quer dar outro rumo a vida. São ligados a projetos voluntários, cada qual a seu modo dá a parcela de contribuição, seja atuando em movimentos religiosos, estudantis ou comunitários. Ao total tive contato com mais de 400 jovens. Houve empatia com as ações do Girobrasil. Manifestações de apoio, e espero ter deixado aqui uma possibilidade de reflexão.
Que essa energia tome conta de todo o Brasil, que nós jovens possamos enxergar mudanças e descruzar o braço em busca destas. Que cada um de nós possa ter orgulho de dizer: EU FAÇO PARTE, PARTE DO BRASIL.

segunda-feira, outubro 23, 2006

FAMÍLIA HÊ...

Sabe aqueles dias que você resolve pegar o telefone, dar e receber notícias? E ao ouvir a voz dos interlocutores (pessoas amadas e queridas) a emoção toma conta...é preciso respirar para a voz sobresair ao choro, rs, mas é um choro gostoso, de carinho apesar da distância. Como é bom ter uma família e ter amor nesta família. Sou grato a Deus pela que tenho. Me sinto feliz e forte por essa existência. Faço questão de dizer minha história, fui adotado aos oito meses de idade por pessoas iluminadas. Somos entre adotados (dois) e biológicos em oito irmãos (dois homens e seis mulheres, rs). E nunca houve na nossa criação nenhum privilégio a este ou aquele rebento. Tenho orgulho de minha história e afirmo: sou o que sou e chegarei onde chegar porque tenho uma familia que posso contar. E a essa se juntam os amigos que a vida me presenteia.
um por todos e todos ...
A experiência do Girobrasil (já passei por SP-RJ-MG e DF) me coloca em contato com diferentes pessoas, sonhos de vida, histórias e angustias, tenho encontrado gente de toda a "natureza", de todo o jeito e de todas as idades. Percebo quanto se faz necessário ter uma familía, seja essa biológica ou não, seja aquela na qual nascemos e crescemos ou a que a vida nos permitiu escolher, o que não pode faltar é a presença de uma (não me remeto ao sistema padrão de família, resumo familia as pessoas com quem podemos contar, independente de ligação sanguínea). Se "jogar" no Brasil com duas rodas tem me mostrado quão intríseco está essa necessidade humana. E tenho encontrado "minhas famílias" Brasil a fora". Pessoas que me recebem em suas casas, em seus locais de trabalho, que me mostram a vida a partir da sua própria visão, e que fazem não perder as esperanças de transformação. Usarei um exemplo.
o ajudar gratuito...
Terminada minhas atividades em Belo Horizonte - MG (fiquei uma semana), já me dava por contente (boas entrevistas, imagens, subi a maior favela da região, fiz muitos contatos, dei oficinas teatrais, fiz amigos) rumei sentido Brasília - DF (são 750km). Entre uma parada e outra em posto de gasolina (abastecer e alongar) sou abordado na pequana cidade de João Pinheiro - MG (penúltima antes da divisa com GO) por um simpático senhor aparentemente apaixonado por motos. Seu nome: Vilson. Ele faz parte de um motoclube local: Os Piratas. Diálogo estabelecido curiosidades sanadas paguei a gasolina e me despedi (ainda restam uns 350km até DF). Assim que funcionei a moto o Vilson encostou seu carro (ele e a esposa dentro) e me fez um convite: nós vamos fazer um churrasquinho ali na beira da estrada, o nosso grupo de motoqueiros, vamos lá com a gente. Não resisti, aceitei e segui-os.
o grupo...a família...
Ao chegar logo foram providenciando as bebidas, a carne e acendendo o fogo. O Vilson me apresentou a todos ( um por um) e repetiu minha história inúmeras vezes, em minutos eu parecia ser um amigo de velhos tempos. Fui bem recebido e conversamos sobre estrada, moto, viajens e também piadas, rs. Cada um tinha o prazer de dizer o que bem entendia. Recebi dicas e sugestões sobre mecânica, rotas e falei muito sobre o MS. O mais marcante disso é que a fraternidade estava estampada no grupo, era naquele momento a minha família.
A estrada nos mostra como somos todos iguais, que apesar das barbáries e medos socias, ainda há pureza, alegria e gente da melhor qualidade espalhada por ai. Cada dia, cada contato percebo a ampliação de uma família, a dos que sonham, acreditam e resolvem ir a luta.
P.S leiam, comentem e divulguem o blog por favor. Gostaria de saber se os textos estão bons, no que posso melhorar e pra isso preciso de você. Que também já faz parte da minha família.

segunda-feira, outubro 16, 2006

UM CAFÉ À MINEIRA

Terminou o almoço. Comida da boa, por uma questão de adaptação orgânica fui de devagar, não devorei intensamente os pratos típicos, tentei equilibrar com salada. Bom, mas o assunto não é o almoço... e sim o exato momento em que ele termina.
um café, por favor...
Num cantinho reservado próprio para café, sentei-me em uma simples e charmosa cadeira branca que faz par com uma rude mesa de madeira. Já "instalado" fiz o meu pedido: um café por favor. Ao meu lado esquerdo três pessoas que aparentemente conversavam sobre um projeto de parceria entre escola e empresa de propaganda, algo como um comercial de tv. Pra mim ele faziam mesmo é arti (articulação, rs). O que me chamou a atenção foram as duas mesas a minha direita.
Na primeira um homem de aproximadamente trinta anos. Ele tomava seu café e resolveu fazer uma ligação. Logo me pediu a caneta emprestada (fiquei pensando: como eu vou anotar a cena agora, rs), aos poucos o vi emputecido com algum problema bancário. Na mão esquerda ele tinha uns papéis e a minha caneta; na direita o celular posto ao ouvido. A expressão facial e o tom de voz ganharam força: "então quer dizer que ocês é que erram é é eu que pago o pato sô, uai que negócio é esse sô". Logo se levantou me devolveu a caneta e saiu...
Na mesa em sequência um casal de meia idade. Elegantes. Ele do tipo que usa calça branca e chapéu (só tinha visto isso em filmes e fotos de época), ela de vestido e colar. Entre água e café o celular dela disparou: "Sim é como eu lhe falei, só depende agora é de vê a seguradora sô". De repente o tom de voz e a elegância caem por terra: " uai, tá pensado o que sô. Eu tamém tô a pé e num sô eu que resolve isso não sô. Me faça o favô uai..." e num ato de nervosismo desligou o celular se levantou e rumou porta a fora. O parceiro com estilo, se pôs de pé, colocou o chapéu e a seguiu.
será o efeito...
Minha dúvida é: será que eu também terei a mesma reação? Se isso tiver a ver com o uso do celular (os dois o usavam) tô livre, pois o meu não funciona aqui. Pensava que os mineiros fossem mais "devagar", ou será mesmo o efeito do café? Xi nessa história toda eu já tomei quatro...

O APRENDIZADO QUE VEM DA ESTRADA...

Da preparação até agora percorri mais de 4 mil km, passando pelo Pantanal Sul-Mato-Grossense, SP, RJ e MG. No trajeto várias situações, chuvas, neblina, frio, calor intenso, muito trânsito, vi acidentes, rezei, assustei-me, acreditei e tive muito medo também. Hora por auto-estrada tendo como companhia a paisagem, hora no trânsito urbano com toda a sua loucura.
Em SP o pensar e agir a cem por hora; as estatíscas e os casos reais do que se vê por onde anda (são acidentes e muito sofrimento); no Rio a preocupação da violência urbana, cruzar as linhas vermelha e amarela passando por favelas e rotas do tráfico. O esperar pelo desconhecido (como estou contando com ajuda de amigos e amigos de amigos na maioria das vezes só passo a conhecer a pessoa quando já estou na casa dela, rs), descer serras, subir serras, enfrentar o mau tempo e os motoristas malucos. Olhar e ver chão e mais chão...
o olhar...
As paisagens encantam e chocam, com elas o sentimento de querer (mas não poder, nem conseguir) expressar em imagens o que se vê e sente é estranho ( o olhar, o pensamento e o sentimento que não se descreve e não se repete). Por momentos o olhar busca o arquivo de vivências anteriores, busca respostas e levanta outras questões. Dá vontade de voltar aos braços da familia e amigos, e ao mesmo tempo de prosseguir. O coração se arrebenta, se fortalece e o tempo não pode ser mais "compreendido" ou explicado.
Imagino (como o que tenho sentido) como deve ter sido para os militantes políticos em época de ditadura, que iam em busca de seus ideais e do desconhecido (mesmo tendo alguém a esperar, esse alguém muitas vezes era desconhecido, isso pra salvarem a própria vida).
Será que o olhar dos olhos é o mesmo que o olhar da alma?
o que fica disso tudo...
O contato com essa experiência/vivência é algo surpreendente. Ao mesmo tempo histórias de pessoas que levantam sacodem a poeira e vão a luta, de outro lado a crueldade humana. As favelas, o medo, a descoberta, as surpresas, o querer fazer e não poder, o dar explicações, ouvir, sentir, a fragilidade e a complexidade humana. O estar sozinho e entre multidão ao mesmo tempo. Não ter um ombro amigo mas, ser recebido pela solidariedade, a exposição, o crescimento, a partilha, tudo tão intenso e tão junto. É ao mesmo tempo ser forte e fraco, bom e ruim, literalmente se lançar a sorte do destino.
É engraçado: saber o que se quer, para onde ir, mas numa subjetividade não conhecer os caminhos e os caminhantes do percurso. É uma constante de incerteza, de aventura, de medo, de ousadia, de descoberta e ao mesmo tempo de coragem. É estar em contato com a dualidade do ser humano, ir do simples ao complexo em fração de segundos.

sexta-feira, outubro 13, 2006

O RIO É UMA CIDADE DE CIDADES...

Princesinha do mar (assim é Coopacabana), o inferno dos povos (será a Cidade de Deus?), já bem resumiu Fernada Abreu "Rio- purgatório da beleza e do caos", essa passagem pelo pela Cidade Maravilhosa tem sido fantástica. Dos pontos turísticos (a beleza da cidade) até o local onde estou hospedado, Jacarepaguá (próx. ao Projac) fica evidente a definição do Rio: a cidade de cidades, no caminho belezas de morros, serras, mar, e ao contra-ponto as favelas (comunidades eles dizem aqui). Diariamente passo pela Cidade de Deus e a tensão é grande. Claro que a mídia contribue para a expansão do medo e violência, mas os fatos diários mostram que não há tanto exagero assim não. Tenho visto, conversado, presenciado muita coisa bacana, e também bisarra, mas nada de registro fotográfico ou vídeo (isso é proíbido e perigoso), tomar ônibus diariamente é uma escola. Agora entendo o lance da proteção pela violência, é isso que acontece mesmo. As comunidades (favelas) são protegidas pelos traficantes, eles cuidam do seu povo, só não pode é pisar na "bola", sair fora do "acordo" de conveniências. Chamaria os cariocas de "heróis da resistência", é preciso resistir a própria sorte de vida por aqui. Mas é claro que pra quem tem dinheiro e pode usufruir o melhor da cidade isso é show (não estou nessa condição, rs). As paisagens são paradisíacas. Confesso que tudo isso tem me inspirado muito a escrever (meu caderno tem muitos rascunhos) e a continuar a descobrir os brasis dentro do Brasil.
a fila anda...
Não posso ficar parado no tempo, preciso me organizar e seguir em frente, fazer a fila andar. Este fim de semana sigo pra MG. Essa fase agora o coração fica muito apertado, estar longe da família e amigos, da zona de conforto é algo provocante. Eu diria que esse "estágio da vida" me surpreenderá muito ainda. Fiquem bem e até mais. Há, e por favor deixe seu comentário no blog...